Por favor, antes de assistir, leia isso e tente ter empatia.

Prevista para estrear dia 10 de agosto, a série Insatiable da Netflix está levantando muitas questões entre o público que assistiu ao trailer. Isso porque o conteúdo é extremamente gordofóbico e preconceituoso. A atriz Debby Ryan interpreta uma jovem gorda que sofre bullying por sua aparência, considerada feia justamente por suas medidas. Quando emagrece, resolve todos os seus problemas de autoestima e vinga-se de quem a fez sofrer por sua aparência “feia”. A atriz, que é magra, também utiliza uma prática polêmica: o Fat suit (vestir-se de gordo com roupas especiais para interpretar alguém que será ridicularizado por isso).

Assista ao trailer:

Muitos podem acreditar que as reclamações de quem ficou indignado com a sinopse da série são puro “mimimi”, mas não é. Todo ano milhares de jovens morrem pelo mundo devido à questões de desordem alimentar, isso quando não vivem uma vida miserável e depressiva. Uma vida perdida não é “mimimi”, e se você acha isso está errado. A gordofobia, está impregnada na sociedade e mata de diversas formas. Somos expostos a várias pressões estéticas desde criança, mulheres principalmente: seja magra, arrume-se, malhe, “conquiste o corpo perfeito”. Cobrança atrás de cobrança. A mídia padroniza, define o que é e não bonito, e quando alguém não consegue alcançar esse padrão, se frustra e pode desenvolver várias doenças de ordem física e mental. Sim, isso é um blog de beleza, mas a beleza não é só magra.

A gordofobia existe quando alguém entra no ônibus e sofre constrangimento por não conseguir passar na roleta. Quando vai viajar e apenas um assento do avião não é o suficiente para comportá-la. Ela, a pessoa que pagou igual a todas as outras para ter o mesmo serviço, tem uma experiência ruim que as outras não têm porque ela não tem o biotipo padronizado. Quando gosta de uma roupa e não consegue comprar porque não tem o seu tamanho e é obrigada a usar peças que não gosta porque são a única opção. Quando vai comer algo em público e recebe olhares de reprovação, como se ela não tivesse o direito de se alimentar. Pode parecer besteira para você, mas não é para quem sofre. Todas essas situações causam muito constrangimento.

Pense na adolescente igual ou mais gorda que a personagem, que não consegue emagrecer e sente que sua vida é um lixo e só vai melhorar quando estiver magra, o que pode nunca acontecer, levando à uma vida triste e cheia de danos psicológicos – o único dano que ninguém liga, porque enquanto você não está vendo, você não se importa. Tudo bem ela ter anorexia e morrer de fome com 28 anos, mas Deus a livre de pesar mais de 65 kg, credo, vai infartar amanhã.

O público-alvo da série é jovem, o que só piora toda a situação. Meninas e meninos que estão formando sua opinião e personalidade e absorvem quase tudo que a mídia vende (incluo ideias nesse pacote) sofrem uma verdadeira lavagem cerebral e acabam replicando esse tipo de preconceito nocivo. Por mais que não seja intencional, quando você basicamente diz que alguém PRECISA emagrecer para ser aceito e amado, planta na cabeça de quem assiste uma ideia de que ela nunca será feliz por ser gorda, que ela tem que ficar magra a qualquer custo e se não conseguir ela é uma fracassada. O que mais resta a ela?

Pessoas gordas não são doentes. Ser gordo não é doença. Não estou falando de obesidade, estou falando de ser gordo, fora do padrão magro imposto. Também não estou glamourizando gordura. Só quero que você entenda que uma pessoa magra pode tranquilamente ter mais problemas de saúde do que uma gorda e que já decretar que alguém é doente baseado em suas medidas causa dor e sofrimento. Sim, uma pessoa gorda também pode ter doenças de saúde ligadas à má alimentação, mas quem define isso? Você é médico? Tem o poder de olhar para alguém e descobrir se tem colesterol e diabetes apenas baseando-se na forma corporal?

Cada pessoa funciona de um jeito. A dieta que serve em você talvez não servirá em mim. Temos metabolismos diferentes. Pense além do preconceito. Algumas pessoas simplesmente não conseguem emagrecer e ponto final. Sim, devemos nos cuidar, ter uma dieta saudável, ir ao nutricionista, tratar do corpo com carinho. Mas cuidar com carinho também significa se aceitar e se amar. Não se maltratar e submeter-se a n coisas para se encaixar numa forma que a mídia quer que você acredite ser a correta e única aceitável. Pensar que tudo bem se não conseguir um corpo fit. Ser feliz com o que vê. E fazer isso com uma mídia que diz o contrário é super problemático.

Muita gente fez petições e protestos contra a série, pedindo seu cancelamento antes mesmo de começar. Como a ela ainda não foi ao ar, não podemos dar uma opinião final sobre, apenas torcer para que a personagem siga um outro rumo e caia na real. Vamos esperar e ver como vai ser, mas fica registrada aqui essa questão, debate e reflexão são coisas saudáveis. Pessoas  incomodadas com esse tipo de conteúdo mostram que a sociedade está mudando e mais aberta para ouvir ideias, o que é ótimo.




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